Deixo essa carta como um desabafo. Não comuniquei minha intenção antes a ninguém para que não pudesse ser impedido. Não que eu creia que alguém vá se importar, mas em todo caso, detesto especulações.

Há muito tempo a morte parece sussurrar em meus ouvidos. Todo dia ela me faz um convite. Dia após dia ela tem me sufocado. Tudo está em minha mente, mas meu corpo sente as dores dessa opressão. Sinto me cansado. Demasiadamente desestimulado.

Minha vida não é das piores. Disso eu sei. Há pessoas em situações muito piores e que continuam empenhadas na arte de viver. Eu por outro lado resolvi desistir. Não tenho sonhos e nem planos. Nada que valha a pena lutar, viver ou morrer por isso. Vazia é essa minha existência.

Por tanto tempo dissimulei o que sentia. Me escondi em falsos sorrisos. Quando não conseguia sorrir, o silêncio era meu abrigo. Não deixava transparecer que não tinha mais ânimo para viver. Nunca fui de me abrir completamente com ninguém. Sempre me mantive como uma incógnita.

Agora chega o tempo em que abandono essa vida sem realizações e cheia de frustrações. Com uma faca atravessarei meu coração. Meu corpo frio e cansado será banhado pelo sangue amargo de quem se entregou ao suicídio. Vivi como um covarde, morro como um inconsequente e passo para a eternidade como um miserável.

Por Icaro Freitas

Ps: O texto é pura ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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