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Segundo a Cemig, o nível do reservatório chegou a 6,65% neste ano e nesta segunda-feira atingiu 18,07%. O volume ainda é considerado baixo e traz preocupação.

Os níveis dos reservatórios de Minas Gerais vêm aumentando significativamente com as chuvas das últimas semanas. A represa de Três Marias, uma das principais usinas hidrelétricas do estado, localizada no Rio São Francisco, quase triplicou o seu volume útil nos últimos 17 dias. Segundo a Cemig, o nível chegou a 6,65%, e, nesta segunda-feira, atingiu 18,07%. Mesmo com o grande aumento, a situação ainda é de alerta. Tanto que a empresa continua trabalhando no cenário mais crítico. A situação também ocorre na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nos últimos 25 dias, o Sistema Paraopeba subiu 15,7 pontos percentuais e está com 38,2% de sua capacidade.

A represa de Três Marias enfrentou períodos críticos nos últimos dois anos, principalmente por causa do pequeno volume de chuva em Minas Gerais. Em 2014, o volume total da represa chegou a 2,57%. No ano passado, continuou com níveis bem abaixo do ideal. Em dezembro do ano passado, atingiu 6,7%.

Em 2016, um alívio pôde ser visto na represa. Depois de uma sequência de chuvas, o nível do volume útil era de 7% no dia 1º, caiu para 6,65% no dia 8, e subiu para 18,07% nesta segunda-feira. “Tínhamos, no início do mês, uma previsão de chuva, mas não conseguimos vislumbrar a vazão dos últimos dias. Os ponteiros até apontavam um fenômeno dessa natureza, mas continuamos a trabalhar no cenário mais crítico. Felizmente, a chuva veio em quantidade maior que estávamos imaginando”, afirma Ivan Sérgio Carneiro, engenheiro de planejamento Hidro energético da Cemig.

Mesmo com o aumento, o cenário ainda não é favorável. Nos próximos dias, segundo a empresa, não estão previstas chuvas significativas. “Vamos continuar com a política de manter a defluência (quantidade de água liberada) mais baixa para garantir uma recuperação de nível ainda maior. A expectativa  é chegar ao fim de janeiro em torno de 25%”, explica Ivan Carneiro.

Nesta segunda-feira, a vazão afluente (quantidade de água que entra no lago) é de 2.044 metros cúbicos por segundo. A difluente está em 142 metros cúbicos por segundo. As estratégias estão sendo tratadas em reuniões promovidas pela Agência Nacional de Águas (ANA) com a Cemig, Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), comitês das bacias hidrográficas e secretarias dos estados banhados pelo Rio São Francisco.

O vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Wagner Soares Costa, viu com bons olhos o aumento do nível da represa. Porém, faz um alerta: “Essa chuva não veio para resolver o problema. A previsão é de que não vai ter chuvas significativas. A ideia é aproveitar esse volume que está chegando e manter a vazão preservada para tentar fazer uma reserva maior. Porque as perspectivas não são muito boas”, disse.

Para ele, os municípios têm que continuar com restrição de uso da água. “Não podemos afrouxar as medidas de redução de consumo. Nos próximos meses, todos os usuários da bacia terão que trabalhar com essa hipótese de permanecer firmes em um programa de redução de consumo de água”, comentou.

Estragos


A sequência de chuva em Minas Gerais também trouxe prejuízos. O estado já tem três municípios que decretaram situação de calamidade por causa dos estragos e outros quatro estão em situação de emergência. Os temporais deixaram 681 pessoas desabrigadas, 1.636 desalojadas. As precipitações deixaram 10 pessoas feridas. Uma morte foi confirmada. Trata-se de Antônio Luiz Alves Júnior, de 30 anos, levado pela correnteza em Montes Claros, no Norte de Minas, quando tentava impedir que sua moto também fosse encoberta pela água em novembro do ano passado.

Os temporais danificaram 1.074 casas e deixaram sete destruídas. Foram 20 pontes danificadas e duas destruídas, segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec).

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